A Playboy brasileira é o homem doente do erotismo nacional. Edição após edição de ensaios desastrosos, desperdiçando mulheres maravilhosas, levaram a outrora glamurosa publicação ao descrédito; frases como “a Playboy atual mostra menos que a National Geographic
” se tornaram comuns.
Não é necessário ser um gênio para inferir que a notícia que Fernanda Young
seria capa da revista em novembro causaria alvoroço nos meios eróticos brasileiros; a própria escritora tratou de fazer a parte dela, usando a sua conhecida capacidade de atrair atenção para hypar ao máximo o ensaio, inclusive com frases como “o ensaio servirá para salvar o erotismo” e outras frases de marrentice não ouvidas no Brasil desde quando Romário, Túlio Maravilha e Renato Gaúcho jogavam futebol.
Enfim, chegou novembro e junto a Playboy com Fernanda Young, e este Cahiers acabou instado pelo público a resenhar o ensaio foto a foto. Então, segura Berenice porque a jornada é longa!
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Começamos pela capa, em que FY aparece vestida de coelhinha contra um fundo branco. Não entendi o que a foto exprimia, talvez uma tentativa de resposta à pergunta “como uma Suicide Girl se sairia de coelhinha da Playboy?”. Como tenho certeza que meu nível de inteligência não consegue alcançar o que a Young escreve/faz/etc, ficamos assim: o burro sou eu que não entendi.(1)
A foto de abertura, que ocupa duas páginas, tem o mérito de botar as cartas na mesa, com Fernanda numa pose “I’m too cool for you all” e a insinuação de uma estética editorial-de-moda-de-revista-de-descolado.(2)
Na página seguinte, um texto da Young que dá o enredo do ensaio: uma mulher que espera o homem dela para um encontro e, já que ele não chega, se irrita e resolve bagunçar tudo. Como se isso importasse.
A segunda foto mostra a roteirista descabelada… era pra estar ansiosa? Porque parece, sim, ter acordado irritada porque esqueceu de tirar o espartilho antes de dormir. De bônus, aparece pela primeira vez na sua plenitude os pelos pubianos da moça; a Playboy já mostrou mais peludas (Cláudia Ohana) e com pelos mais ‘deixa ao natural e vê o que acontece’ (último da Vera Fischer), então só consigo imaginar que a polêmica por causa disso se deve ao fato de que fazia tempo que a Playboy não mostrava pelos pubianos at all.
A terceira foto mostra a artista procurando algo ou alguma coisa. Seria idéias novas pro programa dela no GNT? Ou então o contrato das fotos, já que ela não lembra mais a parte dela nos ganhos? Enfim, como diria @oclebermachado, é uma questão pontual.
A quarta foto é quase uma revisitação da foto de abertura, só que tirada de mais longe e com mais pelos pubianos.
A quinta foto passa uma impressão de “olha, estou entediada, então vou mostrar que sei levantar o púbis e vocês vão ver minha racha”.
A sexta foto é uma homenagem ao narcisismo… que acabou sendo mais notável pelo erro tosco de Photoshop. Aliás, erros bisonhos de Photoshop são uma marca O símbolo da fase atual da Playboy brasileira.
A sétima foto, também de duas páginas, mostra Fernanda estirada na cama, com seu inseparável espartilho, nervosa com alguma coisa sendo dita pelo telefone. Será o tal homem que não vem? Será que é alguém da Playboy avisando que num mundo em que todo mundo baixa fotos na internet não se vende mais 1 milhão de exemplares? Será algum produtor lamentando por uma eventual não-produção de “Os Normais 3″? Será alguém avisando que a Amy Winehouse ligou e pediu a peruca de volta? Who knows?
A oitava foto tem um sutil product placement da Heineken (que outra cerveja usa garrafas verdes?) e… bem, meu alerta de “fotos conceituais” disparou. Se tem uma coisa que poderia sumir da face da Terra que não faria falta alguma, com toda sinceridade, são essas “fotos conceituais” que todo fotógrafo coloca em ensaios da Playboy.
A nona foto… ah, a nona foto. A foto do pôster. A que ocupa três páginas. A que foi feita para ser colada em paredes de borracharias Brasil afora. Foto em que FY entra no clima, ao envergar a mangueira para lavar o chão, e aproveita para fazer a alegria de quem a acha uma chata de galochas. No final das contas… é uma foto de pôster da Playboy? É. O pôster da Playboy deve ser fonte para inspiração onanista? Deve. O pôster de FY cumpre o objetivo de inspiração onanista? Se alguém se inspirar com a foto, sim; se ninguém se inspirar, não. #oclebermachadofeelings
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Já na décima foto… ah, os editoriais-de-moda-de-revista-de-descolado… tão modernos, tão supercools, tão chegados a fetiches como ver FY trocando selinho com uma Mortícia Addams wannabe em duas páginas…
A décima primeira foto marca um novo adereço no arsenal da roteirista: a calcinha da vovó. Pena que a Mortícia wannabe foi obrigada a dar um peteleco numa mosca que estava na parte de trás do joelho da escritora. Deve ter algum conceito na foto, mas enfim.
A décima-segunda foto é uma homenagem à Madonna; Miss Young vai à janela e grita “Jesus apaga a Luz!”
A décima-terceira foto (insira piada com Zagallo aqui) é uma homenagem de Fernanda ao seu púbis, aos seus pêlos pubianos, aos seus grandes lábios etc e tal.
A décima-quarta foto, que beleeeeeeeza(3), batiza este post, já que é o grito de “mãe, olha só, virei coelhinha!” com direito a cordão de prata do coelhinho da Playboy.
Décima-quinta foto. Dedo enfiado no cu. Too much concept. Oficialmente sou burro demais para esse ensaio, mas continuamos em frente.
Décima-sexta foto. Sabe a quinta foto? Pois é. Coloca uma mesa no lugar da cama.
A décima-sétima foto é uma homenagem a “O Silêncio dos Inocentes” – sim, eu sei, fotos conceituais, né?
A décima-oitava foto é uma homanagem a algum filme obscuro da Nouvelle Vague sueca que só a Fernanda ou o Bob Wolfenson (o fotógrafo do ensaio, só pra constar) deve ter visto. Duas fotos conceituais em sequencia. Isso cansa, viu Playboy?
Na décima-nona foto… pés amarrados. Podólatras de todo o mundo, uni-vos, porque alguém alimenta seus fetiches em uma revista masculina de circulação nacional!
A vigésima foto é absolutamente sensacional. Nada pode ser mais “foto conceitual” que uma foto que mostra UM joelho amarrado e DUAS marcas de UMA meia 7/8 um número abaixo do que FY usa. É demais, viu?
A vigésima-primeira foto é mais uma homenagem a fetiches, agora é aos praticantes da bondage. Para reforçar a idéia de prisão, Young fica no chão em frente a uma grande fechada; aparentemente conseguiram, com a exceção da Bia, que começou a cantarolar “carcará, pega, mata e come”.
A vigésima-segunda foto mostra Young com cara amarrada dentro de uma gaiola. Se o objetivo foi mostrar como o mundo prende a criatividade de FY ou algo inteligente e polêmicozinho do tipo, só me deu vontade de cantar a música da Dança do Passarinho. Aliás, o Gugu não canta mais essa música na Record, né?
A vigésima-terceira foto mostra Fernanda mostrando o dedo para os leitores. No thanks.
A vigésima-quarta foto mostra a autora pichando “O único motivo razoável para o seu sumiço seria você estar morto” com um batom vermelho. Como homem, não entendi a lógica da foto; já a Bia viu uma conexão com os 20 anos da queda do Muro de Berlim.
E a vigésima-quinta e última foto mostra Young algemada com algemas de ouro. Chique ser algemado com algemas de ouro. Daniel Dantas não teve algemas de ouro. A dona da Daslu não teve algemas de ouro. Fernanda Young wins!
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No final… o que resta do ensaio de Fernanda Young para a Playboy?
Sim, é uma versão revista-masculina de um editorial-de-moda-de-revista-de-descolado. Em outros tempos, o ensaio só se sustentaria pela polêmica que Young cria em torno de si mesma, porque, francamente, é um ensaio maisoumenos.
Mas estamos numa era em que a coisa na Playboy está tão feia, mas tão feia, que ensaios maisoumenos se tornam o grande ensaio do ano. Afinal, a Playboy é o homem doente do erotismo nacional.
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(1) A Bia é fã da escritora Fernanda Young. A Bia entende a escritora Fernanda Young. Alguém neste Cahiers não é tão burro assim, afinal.
(2) Não vou colocar nome de revista, mas lembre-se de uma música da Madonna.
(3) Usei um bordão do Milton Leite só pra cortar a sequencia de piadas com o Cléber Machado.
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