Sem fatos, só o resto

9 10 2011

Os mais velhos vão lembrar da Fatos&Fotos, uma espécie de “linha auxiliar” da mais conhecida Manchete, que teve seus momentos de fama nas décadas de 60 e 70, nos anos 80 praticamente se limitou ao carnaval e acabou sumindo tal e qual todo o Grupo Bloch. Talvez essa nostalgia tenha feito Paul Snake e a Sexxxy a usarem uma piada bem tradicional em cima do título da revista como nome de filme: Fatos&Fodas – A Série.

A primeira cena traz Cleo Cadillac e Fabiane Thompson em “suruba com duas celebridades do pornô”. Fabiane é vendada por Cleo (diga-se de passagem, calçando um Loboutin falso, fato rapidamente detectado pela editora-adjunta), e só é desvendada quando, já dentro do quarto cafona escolhido pela produção para a cena, partem para se atracar com dois caras. A interação entre os dois casais demora muito para acontecer, por um bom tempo transam separadamente dividindo a mesma cama; por falar em casal, aliás, Fabiane estava mais animada que Cleo, mas ela e seu parceiro variavam menos de posição. Ambas vão tocando a cena, com uma interação aqui, uma DP na Fabiane ali, até a hora em que, finalmente, os dois rapazes terminam quase sincronizados.

A segunda cena traz Dani Matarazzo (sem silicone e com uma pequena mas visível barriguinha) em “história de dia dos namorados”. Imagina que você é um rapaz sem dinheiro, querendo levar a namorada para aquele motel bacana que ela tanto fala no Dia dos Namorados, e… dá a sorte de uma carteira recheada de dinheiro cair na sua frente. O que você faz, claro, é ligar para a namoradinha e mandar ela tomar um táxi para o motel; se o objetivo era impressionar a garota, conseguiu, já que a grana achada deu para pegar um quarto com piscina e ainda sobrou dinheiro para uma champanhota; talvez por causa disso, ela solta frases como “que romântico, champanhe e piscina!” e “você tá safado hoje, mozão!” durante as preliminares e a trepada em si.

A terceira cena traz Carlão (sim, temos quase certeza que é o próprio Carlão Bazuca!) e Belinha em “drama sexual de um desempregado sem um puto e louco por putas”. Paul Snake entendeu que Carlão é um grande talento dramático do pornô brasileiro e tratou de fazer uma cena com um início com uma estética waltersalles: o homem na estrada anda, e liga, e não consegue nada, e anda, até sentar no meio-fio de uma rua esquecida, ligar para externar os dramas da juventude brasileira que não consegue emprego e, já que está ali, vai ligar para uma acompanhante “para não perder a viagem” – quem nunca, né? Mas como o drama da juventude brasileira que só quer dar umazinha não acaba, Carlão chega no motel e espera… espera… espera… até que chega a acompanhante, e daí… bem, daí é uma cena burocrática que só me fez pensar que o Estatuto da Juventude deveria ter feito algo para ajudar o jovem brasileiro que, depois de um dia árduo à busca de emprego, vai dar umazinha com uma acompanhante.

A quarta cena traz Julia Fontinelli em “uma pescadora que é um peixão louco por vara”. Traduzindo: num quarto com tema naval, se masturba loucamente até chamar o macho e treparem animadamente. E só. Não tem nada a mais.





A vida, as sagas e Caroline Miranda

23 12 2009

Sim, o original está aqui, e por algum motivo NUNCA tinha republicado neste Cahiers. Enfim.

Pois é, amiguentos. O novo fenômeno do pornô nacional é Caroline Miranda[bb], a dita sobrinha da Gretchen e coisa e tal, nova rainha do bumbum e tal e coisa. E chegou arrasando, logo com dois filmes. Vamos analisar a saga (no sentido Dragon Ball Z[bb] da palavra, claro) de Carol Miranda[bb] pelo pornô.

Fiz Pornô… Continuo Virgem

A primeira observação é: que diferença faz eu saber que este é um filme de Paul Snake? Enfim, um momento Sexytime de Carol Miranda na mesa de sinuca marca a primeira das aparições do Capitão Óbvio na saga.

A primeira cena contou com o já conhecido “fantástico” e “bem feito” som dos filmes da Sexxy, com Carol Miranda usando A MESMA PULSEIRA[bb] nos dois filmes da saga e um vestido feito de saco de colocar defunto (será que o IML lançou uma grife e eu não sabia?) e um ator que parece cover do Mau-Mau da Malhação e que lançou temdensia de jogar água oxigenada a esmo no cabelo. Falaram algo irreconhecível do tipo “você rebola” e fizeram uma DR (se você não sabe o que é DR, você definitivamente nunca namorou). Carol deixou sugar e passar o dedo, mas nada de entrar com tudo pela porta da frente, apesar dos insistentes pedidos quase desesperados do Mau-Mau cover; no entanto, a menina mostrou toda sua experiência em fornecer a porta de trás, e isso mesmo sabendo que ela sofreu com o tamanho do Mau-Mau cover.

Na segunda cena, uma boate e uma incrível cena de cavalheirismo: o rapaz tira a camisa e coloca no chão para que Carol possa deitar em cima e ser devidamente chupada. Carol pedia pra não parar enquanto o ator bombava mais preocupado em acabar logo antes do pessoal chegar pro show (Carol canta funk, caso tenha esquecido). E, claro, nada de porta da frente. E, o que é mais incrível em termos de Sexxy, cortaram corretamente na hora do grand finale da cena!

Entre a segunda e a terceira cenas se perdeu a criatividade de Paul Snake, já que ele definitivamente não é o genial J. Gaspar, e aí ouviram o Capitão Óbvio e fizeram A MESMA CENA na terceira e quarta cenas: mulher (loura na terceira cena, morena na quarta cena) se masturba e logo aparece alguém armado. Enredo é pros fracos. E, pra não dizer que é a mesma cena, na terceira cena a loura parecia um coelhinho da Duracell[bb] porque não parava, enquanto na quarta cena a morena e o cara saíram correndo (!!!)

Perdendo o Selinho

Sim, amiguentos, Carol Miranda acreditava em príncipe encantado que iria deflorá-la numa noite mágica até que tomou um chifre do namorado com a melhor amiga. Depois se infere que Carol Miranda tem flogão[bb], a partir da oração “Também vai receber umas fotinha dele”.

No final, Carol rompe o selinho com Victor Gaúcho, “o descabaçador”, numa vibe cover de Túlio Maravilha que, afinal, nos maravilha com o seu já conhecido banho de interpretação (quem viu “Pecados e Tentações” sabe). E noite mágica é o escambau, tem um som horroso, qualidade musical zero e um cameraman que precisa URGENTE um curso de cameraman. E tudo isso com uma lingerie de zebrinha (Capitão Óbvio virou wardrober?) e salto alto. Classe. Tela Class.

Aliás, a cena estava animadíssima. Tão animada que quase levantei pra passar um café[bb]. Talvez porque Carol estava tensa. Enfim, o momento da defloração… frases clássicas como “pára, pára”, “tira, tira, tá doendo”, “vou pôr só a cabecinha”. Victor teve que trocar a camisinha por causa do sangue. Aliás, foi necessária uma toalha pra limpar o sangue que escorreu. E, como não poderia deixar de ser em se tratando de defloração, Carol sofre, expõe a sua dor e torna a cena tensa. Cena, aliás, que melhora depois que, já sem o selinho, Carol fica por cima. E nos brinda com a seguinte pergunta, ao ver Victor jorrando fora: “Não tem perigo de engravidar[bb]?”. Malhação style! E, como toda usuária de flogão que se preza, Carol tira diversas fotos.

E, ufa, chegamos à segunda cena, onde o áudio continua desregulado e uma discussão filosófica digna de Malhação entre Marcelinha, Bianca Lopes e Igor sobre se Carol forneceu só a porta traseira na cena anterior é salpicada com questionamentos sobre a lotação do motel onde o filme é gravado e frases como “toda funkeira gosta” e Bianca dizendo que “eu não tenho esse problema porque não sou cabacinho”. Marcelinha se retira e Bianca, que gastou um bom dinheiro com uma lingerie de oncinha (por que? por que?) vai trepar com Igor. Cada posição é antecedida de uma discussão animada sobre como a fariam, dá gosto de ver. E a cena até ia bem, Bianca Lopes inclusive se lembrou de tirar a bota e tal. Mas…

Aí alguém tinha que colocar uma cena tosca, o telefone[bb] toca e lá vão os dois pelados correndo no meio do motel para salvar a abandonada Marcelinha no quarto do lado. Bianca Lopes sai para pegar algo e, claro, Marcelinha e Igor transam. O término da cena era tão óbvio que, ao voltar, Bianca exclama um “eu já sabia”; mas aproveita também e divide o leite com a amiga.

Na terceira cena, Carol Miranda encara o genial, fantástico, sensacional Carlão Bazuca. Fazendo a necessária observação de que a aquisição da habilidade “dar a porta da frente” melhorou muito a já excelente rede de habilidades orais e anais de Carol Miranda, fica a nota de que Carol estava bem mais à vontade. Na verdade, seria uma cena sem nenhum atrativo especial se não fosse o sensacional piti de Carlão Bazuca ao saber que Carol não era mais virgem. Sério, alguém precisa levar Carlão Bazuca para Malhação!

Concluindo a saga

Caroline Miranda tem tudo para ser uma das grandes atrizes do pornô nacional, basta perseverar no caminho e se inspirar nos exemplos de Márcia Imperator e Bruna Ferraz.





O fim épico de uma overtrilogia épica

9 09 2009

ATENÇÃO: ESTE POST TEM SPOILER. NÃO DIGAM QUE NÃO AVISEI.

A trilogia de Leila Lopes, cujos dois primeiros episódios resenhamos aqui e aqui, já tem um lugar no panteão dos épicos do cinema pornô brasileiro… do cinema brasileiro… do cinema pornô mundial… enfim, um panteão dos épicos. J. Gaspar, Carlão Bazuca, Victor Gaúcho e principalmente Leila Lopes já têm seus nomes inscritos na posteridade. “Pecado Final” tem, então, uma imensa responsabilidade de manter o padrão dos filmes anteriores. E, para complicar, não conseguiram escalar Tamiry Chiavari para o filme; estaria Yumi Saito à altura da trilogia?

Enfim, Yumi entra na história como a mulher do verdureiro; sério, não consegui pegar o nome da personagem dela. E a história do filme em si começa com a mulher do verdureiro (Yumi) chorando com Marlene (Leila), Bentinho (Carlão) e Maneco (Victor), já que o marido dela fugiu com Ruth (Tamiry); tudo isso, claro, enquanto o locutor narra a história da maneira mais inspirada possível. Ninguém precisa gastar muito fosfato para entender que, no final, a corneada mulher do verdureiro vai se consolar com o corneado Maneco; como é filme pornô, claro, a consolação é na base do sexo, em uma cena que começa em altíssima velocidade e com direito a replay de Yumi abocanhando Victor. Depois a cena vai voltando à velocidade “normal”, de “normalidade” quebrada só por DOIS vazamentos da voz do diretor, edição de áudio FAIL.

Um corte, não, um retalho na continuidade (porque continuidade is for losers) depois e somos apresentados a Leila e Yumi se agarrando, com um sax irritante, cortinas esvoaçantes saídas diretamente de comercial de sabonete, o locutor animado “com a primeira vez de Marlene com outra mulher” e… câmera lenta. Melhor, c â m e r a  l e e e e e e e n t a . . . o que torna o que deveria ser uma cena clássica, bela e tudo o mais numa cena… sonolenta. E aí o espectador não nota a singela homenagem de Leila Lopes a Cláudia Ohana, nem que Leilão não cai de boca.

“Mas Cesar, o filme desceu a ladeira, então?”

Não. Felizmente não, porque o genial Carlão Bazuca finalmente entra em cena; cena esta que inicia com os pesadelos de Bentinho, onde Marlene é o diabo a tentar o seminarista que, calmamente, acorda, se ajoelha e se açoita (tá, nem tanto assim, afinal é filme) com um chicotinho; como o açoite não funcionou…

…Bentinho vai até o quarto de Marlene, passando o batom, e, enquanto a vela apaga, declara que “agora vai ser diferente” para a personagem de Leilão; logo somos informados pelo locutor que Bentinho pretende matar Marlene…

…não, claro, sem antes dar uma ultimazinha. Leila não engole, a voz do diretor vaza de novo, o que se esperava ser feito é feito e…

…no final, Bentinho esgana Marlene até matá-la de asfixia, numa cena que mostra aquilo que já vinha defendendo faz tempo: Carlão Bazuca tem tudo pra ir pra Malhação. Ou praquela novela dos mutantes da Record que, acho, até o Tiago Santiago perdeu o saco de ver. De relance, a Bia até achou que ele estava numa vibe Henri Castelli de se parecer.

E, ao ver Marlene estirada e morta, me pergunto se a Brasileirinhas terá a grande idéia de lançar uma caixa com a trilogia. Espero que tenha.





Regininha poltergeist e o pornô experimental

9 09 2009

Quando a Brasileirinhas fanfarroneou que Regininha Sem Censura, o novo pornô da Regininha Poltergeist, seria “o mais quente e polêmico da carreira”, a minha dúvida era sobre o polêmico, já que até um documentário do Discovery Channel[bb] sobre a reprodução das amebas é mais quente que os insossos Perigosa e Sex City.

O problema é que o início do filme é algo tão desanimador quanto os filmes anteriores: a tradicional prévia com os melhores momentos das trepadas não ajuda e a abertura… bem, a abertura… mostra a Regininha de poltergeist azul evocando Invasão de Privacidade[bb]. Comecei a ficar preocupado, não só com o filme em si, mas com as idéias do diretor, o J. Gaspar.

E quando, na primeira cena, apareceu um ator sentado em alguma cadeira de brechó vendo a Regininha na TV em um galpão sem figurino algum, tivemos a certeza que o J. Gaspar teve uma overdose de Dogville[bb] e saiu se achando o próprio Lars Von Trier. E, não satisfeito em misturar Dogville e Invasão de Privacidade, J. Gaspar ainda espalhou CDs virados pelo chão numa tentativa de gerar reflexos e efeitos mas que só alcança o efeito OMGMYEYESAREBLEEDING!!!!!!!!!!!!!!!!!1!!!oneoneone E, não satisfeito, fez Regininha sair da TV para atacar o ator. E, não satisfeito ainda, fez os dois se atracarem contra a luz, relembrando os clipes do Fantástico dos anos 80. Tanta dose de experimentalismo não se refletiu tanto na trilha sonora, que é broxante, quanto no clima entre Regininha e o ator, que, digamos, inexistiu.

E aí chega a segunda cena, com Silvia Saenz no cenário minimalista-experimental fazendo o que o filme chamou de “participação especial”, ou seja, sem direito a prévia, partindo logo para a felação com um ator que não é menino do Rio mas tem dragão tatuado no braço. Estava até animada e tal, mas aí Regininha veio e quebrou a empolgação da cena, tanto que não houve ejaculação. EPIC FAIL.

A terceira cena seria indigna de qualquer nota se Regininha não tivesse radicalizado na estética experimental e… AH, VAZOU A VOZ DO DIRETOR DANDO ORDENS, “MAIS PRA CÁ”, “QUERO VOCÊS ASSIM”, “AGORA VIRA”! É! Vazou a voz do diretor mais de uma vez! Sim, aconteceu e foi sensacional!

Já a quarta cena, sabe-se lá porque, foi num quarto de hospital. Mas Regininha enfrentou o saiyajin do pornô nacional, Carlão Bazuca, numa cena com muito vigor físico e muita animação. A cena animada faz relevar até a tentativa tosca da Regininha de ser sensual e exagerar ridiculamente nas caras e bocas.

E na última cena, voltamos à estética experimental, numa cena em que, digno de nota, só os closes no orifício anal dignas de TENSO e o puro grito primal do ator ao ejacular.

***

Enfim, se me perguntarem porque ainda insisto em resenhar filmes da Regininha Poltergeist… sei lá, eu gosto de tosqueiras :D





A overvolta

9 09 2009

Se lembram da alegria que demonstrei quando soube que Leila Lopes faria uma trilogia pornô? Pois é. Lá fui eu correr atrás do segundo filme da trilogia nelsonrodrigueana pornô encabeçada pela professora primária, O Pecado Sem Perdão, claro que preocupado se estaria à altura do genial primeiro filme da série.

O roteiro do filme começa onde termina o anterior, ou seja, Marlene, a personagem de Leila Lopes, querendo traçar Maneco (Victor Gaúcho), marido da irmã Ruth (Tamiry Chiavari), depois de trepar com o seminarista Bentinho (Carlão Bazuca, que nos créditos do filme aparece como Carlos Bazuca).

Não tem os fantásticos primeiros dez minutos do filme anterior, mas tem lá suas compensações; como aperitivo, Leila Lopes tomando banho de mar vestida de branco da cabeça aos pés enquanto o narrador (sim, volta o narrador em off!!!!) conta as ‘maldades’ de Marlene… é, pensei em Garota do Fantástico também. E aí vem o prato principal desse momento antes das cenas de sexo, uma conversa na hora do jantar entre Maneco e Ruth, que rapidamente vira barraco por causa dos ciúmes de Marlene, enquanto Bentinho corre para apartar. Vi a cena e pensei “parece novela do SBT”, depois pensei “não, é melhor, é cena de novela mexicana, é programa da Márcia Goldschmidt!”. Notável a performance de Tamiry gritando tresloucadamente “você é broxa, você é broxa” e arremessando uma saladeira em Victor; cadê o olheiro da Televisa que não viu isso?

Enfim, a primeira cena de sexo é entre Leila Lopes (vestida de plâncton) e Victor Gaúcho (numa vibe de professor de educação física da Malhação). Destaque absoluto da cena para o baile que Victor levou da roupa de Leila, a tal ponto dele desistir de abrir. Mas poderia ter escolhido a grande homenagem que Leila fez ao Calcinha Preta, ao rodar sua calcinha preta e perguntar “quer mais?”, pena que faltou o fundo musical adequado. Teve até o momento “sem jeito mandou lembranças” de Victor ao sofrer para evitar de machucar o céu da boca da atriz. Tá, o que importa é que, como inovadora que foi, Leila continua fazendo jus ao título de “inventora do overpornô”.

Já Tamiry e Carlão fazem a segunda cena de sexo, com uma grande atuação pré-transa dos dois, em que Tamiry mostra que aprendeu a chorar como atriz de Malhação e o sensacional Carlão mostra que aprendeu a fazer o papel de mané que vai consolar e acaba trepando. Uma cena mais parecida com o mainstream do pornô (incluindo sexo anal), com pouquíssimas trocas de palavras, silêncio rompido pelos gemidos e pelo chacoalhar imitando rabo de cascavel das pulseiras de plástico usadas pela Tamiry.

E a terceira e derradeira cena volta a juntar Leila e Carlão, em que Leila imita Tamiry na cena anterior e finge chorar para atrair o seminarista; a sintonia entre os dois está bem melhor que entre Leila e Victor, tanto que Leila está mais solta, mais “gulosa”. E, no final, Leila balbuciou que agora quer “uma brasileirinha”, o que não é uma citação à Brasileirinhas (Marlene, na trilogia, vem de um bom tempo em Amsterdam), mas ao fato de que, no capítulo final da trilogia, veremos Leila provavelmente trepando com Tamiry.

***

Do resto? As falas do narrador em off ganharam um upgrade, se tornando mais rebuscadas; a cenografia ganhou um esmero maior; Leila Lopes continua sem colocar silicone.

***

No final: está à altura do primeiro filme da série? Está, sim.

E deixo vocês com a sensacional frase do pai de Ruth e Marlene para Maneco: “Mulher braba é mulher fiel (…) mulher honesta é mulher azeda”.





Leila Lopes e a invenção do “overpornô”

4 09 2009

Originalmente no Fudeblog.

Quando você acha que já viu de tudo no mundo, a incrível capacidade do ser humano de se superar sempre mostra o contrário.

Por exemplo, “Pecados e Tentações”, o filme pornô[bb] estrelado pela Leila Lopes. Não é um filme qualquer; é o primeiro filme do que, por falta de nome mais bizarro, chamo de “overpornô”.

Tá, o cinema pornô sempre teve um tanto de over, afinal ajuda, e muito, a vender. Mas nesse filme tudo é over até para os padrões do cinema pornô. A cenografia é over. O narrador em off é over. A cena do jantar é uma das coisas mais over da história do cinema[bb] mundial, pornô e não pornô. Tamiry Chiavari é divertidamente over com seus trejeitos de travesti-imitando-madame-afetadíssima. Victor Gaúcho é over no seu esforço de parecer um marido bocó. Carlão Bazuca é incrivelmente over no seu hercúleo esforço (em vão, diga-se de passagem) para parecer uma versão seminarista do cigano Igor.

E Leila Lopes… Leila Lopes não faz papel de atriz[bb] pornô, ela faz uma atriz mainstream fazendo como ela acha, com todos os exageros possíveis, impossíveis e imaginários (meodeos, o que são os gritinhos com os dentes cerrados nas cenas de sexo?), que uma atriz pornô atua. Leila Lopes conseguiu fazer aquilo que Regininha Poltergeist tentou bravamente em “Perigosa” e Alexandre Frota tenta há vários anos e não conseguiram por lhes faltarem recursos técnicos. Leila Lopes inventou a “meta-atriz” pornô.

Muitos criticam o filme. Eu estava nesse bolo. Acabei vendo que o filme é único na sua tosqueira. Definidor de categorias. Bizarras, mas não deixam de ser categorias. A partir de “Pecados e Tentações”, o nível subiu para celebridades[bb] e “celebridades” em geral que queiram se aventurar no pornô e para os filmes pornô metidos a superproduções.

Só não consigo o que a Leila Lopes quis dizer quando declarou que o Carlão Bazuca “tinha cara de seminarista”. É genial demais para minha cabecinha.

***

Momento genial do filme? Tamiry, dando bronca no marido (Victor Gaúcho) por estar olhando para a irmã (Leila Lopes, a “meta-atriz” pornô) na já clássica cena do jantar. Toma ar, pensa como uma atriz de Malhação faria a cena, faz uma boca de adolescente irritadinha e solta a seguinte frase, dita letra por letra: “Se você me trair com ela, eu mato você e mato ela. E mato vocês dois, ouviu bem?”.








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